agosto 27, 2004
Pode ignorar se quiser

Não costumo postar tranqueiras introspectivas. Minha vida pessoal mesmo é algo meio sigiloso por aqui. Meio tabu. Podem percorrer os arquivos e comprovar o que digo. Ou perguntar ao RAC se preferir.
Acho que isso faz parte da minha política de atuação bloguística que, em grande parte, é ditada pela periodicidade com a qual minha mamãe acessa este fofo diarinho virtual. Mas, felizmente, ela anda sem conexão e acho que posso abrir algumas exceções. Afinal, temos de ter alguma privacidade nesta vida!
Até já pensei em ter o tal do blog secreto que se fala por aí. Nunca passo dessa fase. Acabo sempre me perguntando qual seria a utilidade de se manter um blog que ninguém conhece. Mais fácil seria escrever no bloco de notas e guardar seus arquivinhos .txt em alguma pastinha remota no seu próprio
hard drive. Ou quem sabe até, num caderninho de capa dura com adesivo da hello kitty que te acompanhe ao longo dos anos aborrecentes como o que eu tenho na cabeceira da minha cama.
O fato é que estou com saudades de algumas pessoas. Preciso me lembrar de retomar com alguma urgência umas poucas amizades perdidas. Algumas até mereceram morrer no esquecimento. Mas acabei abandonando muita gente boa no meio do caminho e agora fico assim, toda sozinha. Sem passado. Sem assunto. Pareço um álbum de fotografias que é revisto após longos (ou nem tantos assim) anos e percebe-se nele uma série de falhas, de brancos. Cada foto é apenas algum espasmo desconexo de vida e nada além.
Mas não se sentem todos assim? Tenho um puta talento pra me sentir sempre a exceção e não a regra. Não. Dessa vez tenho que ter razão. Acho que é piração minha mesmo. Só minha mesmo. Herança desse conceito evolucionista estúpido de linearidade. Fico achando que minha vida tem que ser uma merda de reta em constante evolução pra fazer algum sentido. Sentido. Pronto! Piorei a coisa. Agora quero que minha pobre vidinha tenha sentido. Quero uma vida de seta. Seta, com direção e sentido. Só com uma vida de seta eu vou ser uma pessoinha feliz e saltitante. Será isso mesmo?
Mas é mesmo como se o momento se esvaísse por entre os dedos. Feito areia da praia quando a gente é criança e a mão pequena demais. Os dias passam sempre vazios. Por mais que eu tenha milhões de coisas a fazer é sempre tudo vazio. Como se uma outra pessoa tivesse tomado meu acento e estivesse vivendo por mim. E eu ali de fora, assistindo a tudo sem vontade de retomar o lugar que é meu de direito. É sempre tanta gente. Uma pena não ter ninguém.
Alguém aí quer ser meu amigo?
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agosto 25, 2004
Music and me

O Centro do Rio de Janeiro é mesmo um lugar inspirador. O meu preferido. Mais que Madureira (^-^). São tantos contrastes. É possível recortar no espaço cenas muito especiais e aprender muito com elas.
Eu seguia em direção à Central do Brasil (aquela do filme com o molequinho chato e histérico) escutando a rádio de rua, quando vi uma "moradora" de rua. Uma sem-teto. Nitidamente ela sofria de distúrbios mentais. Estava sentada naquela calçada imunda que serve de mictório para os transeuntes mais preguiçosos e muito menos cidadãos.
Mas não foi essa a minha surpresa. Infelizmente esse não é um quadro raro nas ruas da minha cidade natal. O que me causou estranhamento foi perceber que ela, acompanhando a rádio, cantarolava em meio aos seus devaneios, a letra daquela musiquinha tão famosa nos anos 70: "Music and Me" do ainda não desbotado, Michael Jackson. E mais! Ela cantava a letra corretamente.
Fiquei alguns segundos observando aquela senhora enquanto ela balbuciava alguns versinhos dessa que foi uma das canções que mais me encantou na infância: "grab a song and come along, you can sing your melody".
Lembrei-me dos dias que passei na varanda, tomando o sol das 9 horas, com os indefectíveis óculos escuros em forma de coração, estirada preguiçosa sobre a toalha, cheia de todos os bons pensamentos do mundo, vendo minhas irmãs brincarem com a mangueira. Ou dos dias de cheiro de chuva lá fora, jogos de tabuleiro, livros, pipoca e, na vitrola, aquele barulinho da agulha arranhando o vinil de capa verde com aquele menino do sorriso mais lindo do mundo. E tudo ainda a ser feito.
Imaginei do que aquela mulher estaria se lembrando enquanto entoava os versinhos daquela linda canção. Desejei que fossem coisas puras e tão lindas quanto as minhas próprias memórias. Acabei me emocionando.
"In your mind you will find a world of sweet harmony"
"Em seus pensamentos você vai descobrir um mundo de doce harmonia"
Tomara que ela encontre...
E nós também.
____Editado____________________
Desejem-me sorte!
Aula de assessoria de imprensa amanhã...
HOLY SHIT!!!
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agosto 24, 2004
Papo sério. Alguém topa?

Estou me formando, certo? Certo. Preciso trabalhar num bicho chamado monografia nesses derradeiros períodos de academia, certo? Certo. Só que eu nunca me vi tão perdida em toda minha vida. Nem durante momentos complicados como a gravidez, o vestibular, a tal união de escovas de dentes, o almoço de ontem, e por aí vai.
Procurei o
Juliano pra me ajudar. E seguindo o conselho dele resolvi postar isso aqui. Como ele mesmo gosta de frisar: não custa nada mesmo, isso aqui ainda é de graça. E conselhos também o são. Então recorro aos leitores fofuchos do meu blogucho: alguém aí tem alguma idéia? Preciso encontrar um problema. Sei que há vários problemas em jornalismo. Eu só preciso de um. Um problema só meu. Eu vou amá-lo e respeitá-lo até que a morte nos separe. Ajuda nos comentários ou por
email, por favor. AH! Por favor de novo: sem piadinhas bobinhas. Papo sério.
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agosto 22, 2004
E lá vem mais uma

Pois é. Eu estava me arrumando para ir à bedita faculdade quando mais um capitulo da saga "Bee vai a Estácio" foi escrito.
Eu tinha apenas 30 minutos para me arrumar e sair de casa rumo a distante Barra da Tijuca. Estava vestida e me faltavam apenas os sapatos. Resolvi usar os que eu tinha lavado dias antes e estavam secando na área de serviço.
Apressadamente calcei primeiro o pé esquerdo e amarrei. Calcei o segundo pé e quando fui fechar o sapato, senti algo incomôdo na ponta, próximo aos dedos. Tirei o sapato, certa de que era uma parte da palmilha que tinha ficado mal colocada depois da lavagem. Cutuquei a palmilha tentando desenroscar a bendita mas ela não cedia. Alguns segundos de cutucada depois, a palmilha desobediente começou a se mover entre meus dedos. Num brilhante clique lógico percebi: palmilha não mexe!
Jogando o sapato no chão e olhei pra dentro a tempo de observar um ponto vermelho telha correndo dentro dele. Aí não deu. Eu gritei:
- AAAAAAHHHHHHHHHHH!!!! BARATA!!! MERDA!!! MERDA!!!
Bati o sapato contra o chão e a bendita saiu correndo na direção dos pés de Maria Luísa que deu três gritinhos e pulou na cama, de onde pode assistir chocada ao violento massacre da barata.
Depois de lavar as mão e os pés 2874727654 mil vezes, me atrasado 827368746 minutos e perdido uma daquelas aulas imperdíveis, calcei um sapato que não havia entrado em contato com o nojento animal e me sentei à frente do computador onde fiquei até a hora do almoço.
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agosto 19, 2004
Nada é perfeito...

O firefox é bom pra mim porque me permite usar várias abas dentro de apenas uma janela no navegador. E isso é realmete bom pra mim porque constumo abrir 28763625 janelas de inúmeros programas ao mesmo tempo. Perguntem ao RAC.
na contramão o firefox é ruim pra mim porque ele precisa abrir todas as imagens e adereços de uma página até que você consiga fazer qualquer coisa nela, incluindo rolar a página. E tenho um cacoete esquisito de rolar a página enquanto espero a bendita abrir.
Acho que vou mudar pro netscape... Ou então mudar de casa e finalmente consiguir minha tão sonhada banda larga... ai ai!
Um aparte:
____Editado____________________
para os leigos, eu apresento
Indifference:
I will light the match this morning
so I won't be alone
watch as she lies silent
for soon that will be gone
oh, i will stand arms outstretched
pretend i'm free to roam
oh, i will make my way through
one more day in hell
I will hold the candle
until it burns up my arm
oh, i'll keep taking punches
until their will grows tired
oh, i will stare the sun down
until my eyes go blind
hey, i won't change direction
and i won't change my mind
I'll swallow poison
until i grow immune
i will scream my lungs out
till it fills this room
How much difference…
how much difference does it make?
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agosto 16, 2004
Don´t cry for me
Só me justificando: filha doente, trabalho e início das aulas. Não cometam suicídio, ok? Volto assim que possível. Certamente em um ou dois dias. Até lá!
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