março 13, 2006
Que tem a ver?
A Veja nunca deixa de me surpreender! Quando penso que eles já usaram de todos os meios possíveis para atacar o Presidente da República Banana-Brasilis ou o partido dele, eles descobrem uma nova frente de batalha com inúmeras possibilidades ainda inexploradas.
Acompanhe comigo: a empresa onde trabalho receberá para uma palestra sobre empreendedorismo a D. Zica, cabeleireira famosa por sua aparição no Globo Repórter dia desses. Para quem, assim como eu, não agüenta por mais de 30 segundos o documentário Global semanal, segue uma breve contextualização: Zica é uma mulher negra e de origem humilde que ganhou rios de dinheiro ao inventar um creme super-relaxante para cabelos crespos. A coisa boa (o tal do empreendedorismo) é que além de inventar a fórmula mágica, a moça patenteou a belezinha e passou a fabricá-la com exclusividade para seu próprio salão de beleza: uma coisa que os entendidos chamam de “agregar valor”.
A esta altura você deve estar se perguntando: mas que diabos a tal da Zica tem a ver com os ataques da Veja ao Lula e ao PT? E não lhe tiro a razão, leitor. Também eu me fiz a mesmíssima pergunta ao ler o texto que uma repórter da revista em questão fez sobra a cabeleireira. Pois eis que a
narrativa sobre a emocionante jornada de Zica rumo ao sucesso foi pontuada com comentários como:
“Sua biografia lembra aquela que levou Benedita da Silva ao governo do Rio de Janeiro. Mas Heloísa Helena, que se apresenta como Zica, não usou o atalho enlameado da política petista para sair da favela”.
ou ainda:
“Há três anos, concluiu o ensino médio e começou a estudar inglês para comunicar-se melhor nas feiras de cosmética no exterior – mas ela admite que seu inglês, por enquanto, é tão precário quanto o português de Lula”.
Agora eu que lhe pergunto, leitor: o que é que o c* tem a ver com as calças?!
*autocensura...
permalink ||

março 04, 2006
Foca na luta
O mercado de trabalho em jornalismo não é mais uma moleza. Oh, não! Como eram bons os idos tempos quando o bom texto e a bagagem cultural transdisciplinar eram os únicos pré-requesitos para o pobre foca conquistar seu modesto espaço na selva de titãs.
Meus caros colegas de faculdade estão comendo o pão que o diabo amassou agora que se lançaram em busca de uma vaguinha (Na apuração até, por que não, moço? Somos focas. Aceitamos qualquer negócio, afinal!) em jornais, revistas e agências de comunicação. Passando por situações vexatórias em entrevistas cada vez mais exigentes.
Recebi por e-mail, dia desses, um relato desesperado. Segue um resumo adaptado (Oh, o estilo! Sempre o estilo!) que não omite, contudo, nomes ou deliciosos detalhes sórdidos.
Fernanda (uma grande amiga e talentosa produtora. Sempre fazia parte dos meus grupos de trabalho) compareceu a uma entrevista na
Agência Soma que, entre outras atividades que desconheço por completo, mantém o site do pré-candidato do PMDB à Presidência,
Anthony Garotinho.
Durante o bate-papo, eles entregam à Nanda um cartão de visita da agência onde se lia em letras garrafais: Pastor Lenildo Medeiros. E pequenininho logo abaixo: jornalista. E foi o senhor pastor quem fez a pergunta que, ao final do processo seletivo, se mostrou ser da mais alta relevância:
- Você é evangélica? Possui alguém evangélico na família? Qual a sua orientação política? Direita ou esquerda?
“Nem preciso dizer que não fui escolhida”, encerrou Nanda, meio triste, o e-mail. Liga não, amiga! Você não agüentaria escrever nessa agência: não acredito que lembraria de acrescentar amém a cada fim de sentença ou que consideraria o
aumento do número de índios evangélicos uma pauta.
permalink ||
